Nossa Cara: Juventude Caá.içara

 

O Projeto Nossa Cara: Juventude Caá-Içara iniciado em fevereiro de 2015 teve como desafio, sob uma perspectiva sistêmica, promover a inserção de jovens, adolescentes e crianças na cultura das comunidades tradicionais que deram origem à cidade de Ubatuba. Chegando ao final do projeto, atingimos os objetivos previstos em relação à motivação e desenvolvimento da criatividade dos jovens protagonistas que atuaram no Projeto, proporcionando a ampliação das redes de relações para que tenham suas potencialidades reconhecidas e transformadas em oportunidades reais de ação comunitária, no universo da realização de projetos de intervenção social.

O projeto Nossa Cara: Juventude Caá.içara, entrelaça 3 dimensões importantes de Ubatuba: a juventude, o meio-ambiente e a cultura tradicional local. A formação das lideranças jovens aconteceu em três etapas, previstas no projeto: Capacitação, Multiplicação e Implementação de Projetos Socioambientais. Na primeira etapa do projeto, o foco foi capacitar as jovens lideranças e promover o conhecimento do grupo acerca da realidade cultural e ambiental do município. Foram trabalhados prioritariamente  os temas: protagonismo juvenil, direitos de crianças e adolescentes, culturas tradicionais(caiçara, indígena e quilombola), meio-ambiente e elaboração de projetos de intervenção comunitária. Isso se deu através da realização de oficinas de formação e saídas a campo para as comunidades tradicionais e Unidades de Conservação do município.

Na segunda etapa, os jovens que já tiveram uma primeira imersão no projeto foram chamados a multiplicar o que aprenderam, junto a crianças e adolescentes que frequentam  escolas públicas, particulares e ONGs. Como parte da multiplicação, foram elaboradas propostas de projetos socioembientais relacionados às temáticas do Nossa Cara. A terceira e última etapa vivenciada pelos jovens foi o financiamento e implementação de projetos, selecionados das propostas coletadas durante a multiplicação. Nesta fase, a atuação prática como liderança foi intensificada e as ações realizadas ficaram impressas no cotidiano de Ubatuba. 

 

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Os projetos implementados foram:

Deixe-me Voar - proteção e conscientização sobre as aves da mata atlântica.

Mãe horta  - recuperação e ampliação da horta comunitária da Escola Estadual Sueli

Onda Cultural - produção de um DVD no quilombo do Camburi.

É Bom de Ver Cidade - desenvolvimento de um jogo interativo como ferramenta para realização de projetos.

Musiclando  - interação entre o grupo Odecasa do Quilombo da Fazenda e o Projeto Guri para a construção de instrumento musical com material reutilizado.

Outro produto gerado pelo Projeto, foi uma exposição itinerante retratando todas a trajetória percorrida, que visitou os locais onde os jovens atuaram como multiplicadores, realizaram os projetos de intervenção, atividades de formação, bem como instituições parceiras, como é o caso da FUNDART.

O projeto Nossa Cara: Juventude Caá.içara teve duração de 2 anos e meio, foi realizado pela Ong GAIATO, com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Resultados Alcançados:

31 lideranças jovens capacitadas.

20 oficinas de capacitação totalizando 192 horas de formação com saídas a campo para as comunidades tradicionais e Unidades de Conservação do município.

16 escolas públicas, particulares e ONGs receberam os jovens líderes em ações de multiplicação.

1013 crianças e adolescentes participaram da etapa de multiplicação.

103 propostas de projetos de intervenção elaboradas durante a etapa de multiplicação.

Mais de 20 parcerias estabelecidas.

877 pessoas tiveram contato com o projeto como público indireto – reuniões, eventos e visitas à exposição.

5 Projetos de intervenção comunitária implementados nas regiões norte, centro, oeste e sul.

Exposição itinerante com 100 fotos retratando todas as etapas do projeto em 17 locais no município.

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JOVENS DO PROJETO

 

Aline Souza Aguiar

André Felipe Lanzilotti Ferretti

André Vitor Neves Gonçalves

Andressa Almeida Rocha

Barbara Rodrigues Fernandez Bahamondes

Beatriz Alves dos Santos

Benevaldo Pereira da Silva Vieira

Carlos Alberto Alves de Oliveira Filho

Carlos Daniel Vieira dos Santos

Diego Carvalho de Sousa

Emerson Rosa da Cruz

Gislaine Ferreira da Cruz

Iara da Silva Lima

Ingrid Ara'i Santos da Silva

Jaqueline Rodrigues da Silva Andrade

Laura Alexandre Mateus

Laura da Silva Pião

Lucas Luciano

 

Mariana Romão da Silva

Mariela Rodrigues dos Santos

Mikael Denis de Oliveira Santos Carvalho

Naeli Vieira dos Santos

Nagilla Henrique dos Santos

Natanael Martins de Melo

Patrícia Silva Borges

Rafael Silva Pardim

Renato Carlos de Souza Santos

 

ETAPA CAPACITAÇÃO

O Projeto Nossa Cara: Juventude Caá.içara, após estabelecer as parcerias e realizar o processo seletivo dos 20 jovens, a partir do mês de junho de 2015 foi dado início ao ciclo de oficinas de formação. A partir deste momento, foram realizadas oficinas na maioria das vezes, na sede da ong Gaiato, sobre os temas propostos no projeto, em encontros de 12h/aula aos finais de semana. Além das oficinas foram realizadas atividades não previstas, como uma oficina de EDUCOMUNICAÇAO e a participação na Festa Caiçarada, importante expressão cultural no município. A equipe técnica seguiu realizando as reuniões técnicas periódicas e organizou um encontro de mapeamento cultural e ambiental com membros de instituições parceiras e afins com os objetivos do Projeto. Este encontro trouxe à luz algumas pessoas que futuramente passaram a contribuir com o Projeto como oficineiros e colaboradores.

 

Saiba o que rolou nas oficinas oferecidas pelo Projeto no ano de 2015 para a formação dos jovens

 

Mostrando minha cara, construindo a nossa cara

O primeiro encontro dos jovens ocorreu na sede da ONG Gaiato e foi dedicado às boas vindas dos participantes e ...
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Revisão e planejamento

A oficina realizou um balanço do que foi construído até o momento junto aos participantes do projeto Nossa Cara e ...
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Preservação do Meio Ambiente II

A oficina deu continuidade ao encontro do dia anterior, quando foi introduzido o tema da biodiversidade no contexto ...
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Preservação do Meio Ambiente

A oficina faz parte do bloco temático sobre meio ambiente e sustentabilidade. Na ocasião, os jovens participaram de uma dinâmica ...
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Contação de História, palavras em movimento

Oficina dedicada a trabalhar expressão pessoal. Por meio de dinâmicas individuais e coletivas, a oficineira Claudia Oliveira trabalhou com os ...
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Liderança e diagnóstico

A oficina oferecida por Carla Cabrera Duarte e Bruno Andreoni visou identificar quem são os jovens que integram o projeto, ...
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Lendo e interpretando imagens

Oficina dedicada a introduzir aos jovens conceitos artísticos e suas expressões, tendo como eixo a identidade do povo brasileiro. Para ...
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Direitos das crianças e dos adolescentes

O objetivo desta oficina foi abordar a realidade violenta de centenas de milhares de crianças e adolescentes ainda hoje estão ...
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Música

O primeiro dia de oficina que compõe o bloco de expressão artística foi dedicado à música corporal. Na ocasião, o ...
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Educomunicação

O objetivo desta oficina de formação foi o de construir coletivamente um produto de comunicação em torno do projeto Nossa ...
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Dança

O dia se iniciou com uma roda de conversa informal, quando os jovens trouxeram todo o repertório deles ...
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Cultura Quilombola

Esta oficina, realizada na sede da ONG Gaiato e que contou com a facilitação de Leonardo (levantar sobrenome), teve como ...
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Cultura indígena

A oficina oferecida pela doutora em linguística Ceci-Maria Aparecida Honório na sede da ONG Gaiato teve como objetivo ...
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Cultura Caiçara

No primeiro dia de oficina, os jovens do projeto tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a cultura ...
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Agroecologia e Culinária Caiçara

Oficina dedicada a trabalhar conceitos básicos da agroecologia interligados ao cotidiano da nossa cultura caiçara. Para tanto, foram trabalhados temas ...
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ETAPA MULTIPLICAÇÃO

Atividades nas Escolas e Ongs:

O grupo de jovens líderes, após a etapa de capacitação nas diversas temáticas propostas, realizou o processo de multiplicação com o desenvolvimento de metodologia adequada a este novo momento do Projeto. Foram identificadas escolas e ONGs com projetos sociais no município e os jovens passaram a desenvolver oficinas contemplando as temáticas do projeto Nossa Cara (direito das crianças e adolescentes, preservação ambiental e consumo sustentável, protagonismo juvenil e liderança comunitária, culturas tradicionais de Ubatuba e elaboração de projetos de intervenção social).

O contato com as instituições identificadas como possíveis parceiros e com as parcerias já estabelecidas anteriormente na etapa I. O objetivo foi formar parcerias para que os jovens atuassem nestas instituições como multiplicadores. Esta ação que estava prevista para ser realizada em apenas um mês, foi realizada de modo contínuo durante os meses de multiplicação, pois se identificou que as parcerias seriam firmadas ao longo do tempo, conforme as instituições apresentassem interesse e disponibilidade.

A seleção dos grupos a receber a multiplicação foi feita por cada instituição onde a multiplicação foi realizada. Em alguns casos foram grupos fechados de projetos nas ONGs, em outros foram turmas de salas de aula, grupos mistos formados por adolescentes de várias salas (grêmio estudantil) ou até mesmo grupos de várias instituições em eventos específicos para a multiplicação. A faixa etária foi preferencialmente respeitada, mas houve casos da participação de crianças de 11 anos ou adolescentes com mais de 15 anos e jovens. A dupla ou trio de jovens que realizavam a multiplicação, neste caso, era sempre informada antecipadamente, para a adequação da metodologia à cada faixa etária.

Os jovens realizaram a multiplicação em duplas, trios ou quartetos. Eles participaram do contato com as instituições antes de firmar a agenda. Os encontros de multiplicação foram realizados sem supervisão presencial, pois se avaliou que o desempenho dos jovens e a aceitação dos adolescentes era muito maior quando não existia um adulto presente em sala. Em alguns casos, quando a atividade foi realizada em sala de aula nos horários da grade curricular, o professor de sala permaneceu em sala e deu um apoio aos jovens no que diz respeito a organizar o grupo e validar os acordos.

As lideranças jovens atuaram junto a um público direto de 982 adolescentes que, em grupos, realizaram 103 propostas  de projetos de intervenção comunitária que serviram de subsidio para a etapa seguinte.

Saídas a campo para comunidades tradicionais:

Dentro da proposta de multiplicação, estava previta a realização de sáidas a campo para comunidades tradficionais no municipio de Ubatuba. As visitas a campo foram realizadas com alguns grupos  após as atividades de multiplicação. As comunidades tradicionais a serem visitadas foram quilombos, aldeias indígenas e vilas caiçaras, como a Aldeia Guarani Boa Vista, o Quilombo do Camburi, o Quilombo da Fazenda e o Quilombo da Caçandoca. A visita sempre aconteceu com a proposta de realizar uma roda de conversa com um morador ou liderança comunitária e alguma atividade de vivência da cultura local (por exemplo, roda de jongo). Os grupos eram acompanhados por um guia profissional e uma pessoa da comunidade. 

 ETAPA IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS DE INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA

Neste momento o grupo de lideranças jovens, já capacitado nas diversas temáticas propostas, finalizou o processo de multiplicar o que aprenderam junto a crianças e adolescentes de escolas e ONGs e, por fim, implementaram os 5 projetos de intervenção selecionados. A realização destes 5 projetos foi importante no fortalecimento da confiança e do protagonismo destes jovens, sendo prática fundamental para consolidarem as ações no município e para que o projeto Nossa Cara ganhasse visibilidade no contexto socioambiental de Ubatuba.

A implementação destes projetos foi, na medida do possivel, realizada em parceria com a instituição em que os adolescentes que propuseram atuam. Foi uma etapa estimulante e enriquecedora em relação à

Projetos implementados:

DEIXE-ME VOAR

O Projeto Deixe-me Voar foi desenvolvido a partir de uma ação realizada na Guarda Mirim de Ubatuba. Tem como prioncipal objetivo estimular a proteção das aves através da conscientização sobre a beleza, importância ecológica e potencial turístico.

As estratégias utilizadas pelos jovens do Projeto foram:  realização de uma intervenção teatral em área pública central (calçadão) e ações em escolas públicas e Ongs localizadas em bairros com maior incidência de caça e aprosionamento de aves. Em cada local foi realizado um campeonato de estilingue com latinhas, roda de conversa com o ornitólogo amador Carlos Rizzo e observação de aves com binóculo.

Deixe-me Voar deixou suas marcas de liberdade não só nas questões ambientais do município, mas também nas pessoas que interagiram e nos próprios jovens envolvidos, fortalecendo possibilidades de expressão e mostrando faces da opressão vivida por seres humanos, em analogia com a liberdade de voar.

 É BOM DE VER, CIDADE!

O projeto É bom de ver, cidade! é um projeto de criação de metodologias para o empoderamento de comunidades de Ubatuba (em especial jovens), para o protagonismo em harmonia com a cultura e meio ambiente. A metodologia utilizada pelo Projeto foi a elaboração de um jogo educativo chamado “Segredos de Itan”. Este jogo utiliza a tecnologia da lenda para transformar sonhos em realidade. Itan é uma palavra Yoruba que significa história, e os personagens narradores do jogo se chamam Griôs, uma tradicional cultura de contação oral dos mitos.

O jogo foi realizado junto aos alunos do 8º. ano da Escola Estadual Professora Semíramis Prado Oliveira, localizada no bairro do Lázaro, região sul de Ubatuba. O “sonho” ransformado em realizade foi a implantação de lixeiras na praia do Lázado. A proposta foi idealizada e realizada pelos adolescentes da escola apoiados pelos jovens do Nossa Cara.

 MÃE HORTA

O Projeto Mãe Horta foi desenvolvido à partir das atividades de multiplicação realizadas na Escola Estadual Professora Sueli Aparecida Figueira dos Santos, localizada no bairro da Estufa I, região central de Ubatuba. O objetivo a ser conquistado foi a recuperação e ampliação da horta da escola para subsidiar parte da merenda escolar.    

As estratégias foram: a aproximação das merendeiras, o envolvimento de diversos alunos de diferentes turmas da escola e a capacitação do grupo de alunos e dos jovens do Nossa Cara em temáticas relacionadas à agroecologia, manejo e sustentabilidade. Houve um grande envolvimento por parte da comunidade escolar e a horta passou a ser não somente fonte de recursos mas também uma sala de aula ao ar livre, a ser utilizada em projetos nas diversas áreas do conhecimento.

 MUSICLANDO

O Projeto Musiclando teve como foco principal a troca de saberes e experiências entre o grupo de jongo “Odecasa” do Quilombo da Fazenda e um grupo de alunos do Projeto Guri, projeto social localizado no centro de Ubatuba.

Foram realizadas oficinas no Quilombo da Fazenda para a construção de pandeiros, onde os jovens do quilombo puderam ensinar os jovens do Projeto Guri técnicas e habilidades necessárias para se construir um instrumento. Por outro lado, os alunos do Projeto Guri receberam os jovens do quilombo em sua sede central para relizarem juntos uma aula de fandando caiçara.

Como produto, além dos pandeiros construidos pelos proprios jovens, os dois grupos realizaram apresentações de fandango caiçara nas escolas do sertão do Ubatumirim e da Picinguaba, comunidades tradicionais de Ubatuba. Percebeu-se o fortalecimento dos grupos ao formarem um grupo único potencializado pela diversidade e experiências individuais.

 ONDA CULTURAL

O Projeto Onda Cultural foi proposto e realizado em parceria com a ETEC – Centro Paula Souza unidade Ubatuba. A proposta envolveu ações de interação entre o urbano e o rural de Ubatuba, através do contato de um grupo de jovens alunos do Projeto Social Guerreiros do Esporte e a comunidade do Quilombo do Cambury.

Foram realizadas visitas ao quilombo para que este grupo urbano pudesse conhecer a cultura quilombola e vivenciar o trabalho de lideranças locais que praticam a agrofloresta, o artesanato e a pesca artesanal.

Todo o processo foi registrado, gerando um DVD que documenta desde a multiplicação realizada pelos jovens do Nossa Cara junto ao grupo do Guerreiros do Esporte, até a vivência no quilombo. Este material certamente será parte do fortalecimento das raízes da comunidade quilombola do Cambury e da aproximação de realidades diferentes do município de Ubatuba

 

 

EXPOSIÇÃO ITINERANTE DO PROJETO NOSSA CARA: JUVENTUDE CAÁ.IÇARA

Pensada como uma ferramenta de comunicação e objetivando dar visibilidade ao projeto e ao patrocinador, tornou-se ainda um importante registro para os parceiros que de alguma forma se envolveram com a proposta do projeto, bem como para os jovens integrantes que puderam resgatar momentos marcantes dos dois anos de atividades enquanto faziam seleção dos registros para a exposição.

Durante o período de junho a agosto de 2017 foram agendadas 20 exposições com os parceiros do projeto em diversas regiões do município de Ubatuba, entre elas, escolas municipais, comunidades tradicionais, unidade de conservação, ONGs parceiras, entre outras. A alternativa para dar ainda mais visibilidade aos resultados foi expor em espaços e eventos públicos onde houvesse frequência de pessoas que pudessem se interessar pela temática do projeto. Por exemplo  no Teatro Municipal de Ubatuba durante a apresentação musical do Projeto Guri, parceiro do Nossa Cara, e ainda no Fórum Municipal de Assistência Social, no Sobradão do Porto, antiga sede da Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba,  Parque Estadual da Serra do Mar – PESM Picinguaba e na Praça Madre Sofia, localizada no bairro do Ipiranguinha, onde fica a sede do GAIATO.
Além destes locais, a exposição percorreu as seis regiões de Ubatuba – Norte, Centro-Norte, Centro, Centro-Sul, Sul e Oeste. Todos os locais receberam a exposição completa trazendo um resumo dos resultados.

A exposição itinerante constituiu-se não apenas como uma ferramenta de divulgação, mas também como um objeto de devolutiva aos parceiros, sobretudo àqueles que receberam a etapa de multiplicação, uma vez que os registros traziam resultados da participação ativa dos adolescentes e jovens que, lá atrás, haviam participado desta etapa. O Projeto CERES (Instituto Bacuri), Projeto Namaskar, Escola Municipal Presidente Tancredo Neves, e ETEC Centro Paula Souza, Projeto TAMAR, Escola Municipal Profª Sueli e Escola Cooperativa são instituições que receberam a etapa de multiplicação, algumas tiveram alunos/usuários envolvidos na etapa de implementação de projetos e depois receberam a exposição fotográfica. Outro ponto considerado importante da exposição é que este foi o primeiro momento onde começamos e divulgar os resultados quantitativos e qualitativos obtidos nos 2 anos do projeto e sempre esteve acompanhada por um jovem integrante do projeto, a fim de tirar dúvidas e dar maiores informações aos visitantes. Foram realizadas 17 exposições, 7 parceiros visitados pela exposição e um alcance de 520 pessoas de diversas idades que puderam conhecer um pouco mais das ações do projeto, contribuindo assim para o aumento do público indireto atingido pelo Nossa Cara.

EVENTO DE ENCERRAMENTO E MOSTRA DE RESULTADOS

A Mostra de Resultados do Projeto Nossa Cara: Juventude Caá.içara foi realizada no dia 18 de agosto, no Circo Teatro Celeste, da ONG Gaiato, no bairro do Ipiranguinha, Ubatuba. Na recepção que antecedeu o início do evento, houve a doação do filme de história oral das comunidades tradicionais de Ubatuba: Histórias do Mar e da Terra - filmado durante o projeto, a distribuição do folder explicativo sobre o Nossa Cara: Juventude Caá.içara e a assinatura da lista de presença, que contabilizou 102 pessoas.

Compareceram 13 moradores do Quilombo da Fazenda, 25 da Aldeia Boa vista, e os demais estavam divididos entre a população interessada pelos debates sobre “Juventude Protagonista e Comunidades Tradicionais”, os representantes de diferentes instituições da cidade, da prefeitura de Ubatuba e do patrocinador, Petrobras. Durante as cinco horas da mostra de resultados, a exposição fotográfica itinerante ficou disponível para que todos os presentes verificassem os resultados das oficinas e dos projetos de intervenção nas comunidades tradicionais e escolas participantes do projeto. A mesa de abertura do evento foi composta pelo secretário de Meio Ambiente, Wilber Schmidt Cardozo, o vice-prefeito e secretário de Cidadania e Desenvolvimento Social, Jurandir de Oliveira Veloso, e o diretor-presidente da Fundart, Pedro Paulo Teixeira Pinto, sob a mediação da presidente da Gaiato e coordenadora do Nossa Cara, Mariza Tardelli. A seguir, a mesa redonda “Atuação juvenil, comunidades tradicionais e sustentabilidade” contou com a participação do geógrafo e pesquisador, Domingos Santos, do representante municipal do Fórum de Comunidades Tradicionais, Jorge Inocêncio Alves Junior, do jovem integrante do Projeto Nossa Cara, Carlos Alberto Alves, da representante do movimento ambientalista de Ubatuba, Tami Albuquerque Ballabio e da vice-diretora do Programa Escola da Família - EE Profa. Sueli Aparecida Figueira dos Santos, Agatha de Morais Lopes. Para Tami, “o Nossa Cara conseguiu oferecer elementos e ferramentas para que os jovens se encontrassem enquanto sujeitos participativos”. Domingos chamou de “heroica” a proposta do projeto, pois “oferece oportunidade de crescimento aos jovens e ajuda no combate à desigualdade social”, disse ele. A segunda mesa redonda, intitulada “Juventude e participação social: a experiência de jovens protagonistas”, teve a participação de Tayna Luane e Beatriz Alves, do Projeto Nossa Cara: Juventude Caá.içara, Yasmin Defacio, do Coletivo Jovem Albatroz, e Antonieta Mesquita, do programa Nosso Papel de Futuro, do Projeto Tamar, e representante do Coletivo Jovem Transformar. Carlos Alberto Alves, 16 anos, mediador da mesa acima, afirmou ter adquirido conhecimentos básicos do dia a dia, como trabalhar em grupo, conhecer locais, temas e pessoas diferentes. “Os jovens do Nossa Cara vão continuar causando mudanças após a conclusão do projeto. Somos uma parcela de jovens que não têm opiniões baseadas apenas no que assistem na TV. Os jovens precisam de oportunidade”, refletiu. Para a integrante do projeto Tayna Luane, 19 anos, o projeto contribuiu para o surgimento de jovens socialmente participativos. “Do início do projeto para cá, nos tornamos jovens feministas, ambientalistas, poetas, contadores de histórias e que discutem a questão racial, entre outros assuntos. Somos muito mais do que éramos.” Fez parte da apresentação dos resultados do Projeto Nossa Cara a exposição dos projetos de intervenção comunitária implementados, dispostos em stands, que puderam ser visitados e presenciados pelo público presente. Concomitantemente, houve o lançamento do filme de história oral das comunidades tradicionais de Ubatuba: Histórias do Mar e da Terra. A cerimônia de entrega de certificados aos jovens do Nossa Cara contou com a participação do representante da Petrobras, Manoel Alves Parreira Neto, e de integrantes da equipe que acompanhou o Nossa Cara. Ao término, houve poesia e dança, realizadas por integrantes do projeto. Marcada por evidente emoção, a presidente da Gaiato e coordenadora do Nossa Cara, Mariza Tardelli, elucidou que os resultados do projeto superaram as expectativas criadas logo no início, em 2015. "Quando idealizei um trabalho que contribuísse para o protagonismo juvenil, não imaginei a proporção que ele tomaria e o quão transformador seria para nós, gestores do projeto, e para essa juventude que caminhou com a gente nesse período." A mãe dos irmãos quilombolas Naeli e Carlos, Natalina Vieira dos Santos, evidenciou a mudança de hábitos dos filhos, como a redução do uso do celular, a maneira como se aproximaram e passaram a valorizar a família. Hoje, ambos dançam e tocam no grupo de jongo Ô de Casa. A indígena da Aldeia da Boa Vista, Iara da Silva Lima, de 20 anos, participou do Nossa Cara apenas nos primeiros meses de projeto. “Chorei por rever meus amigos. Digo a eles para que sigam em frente, naquilo que construíram até aqui”, disse, emocionada. Os alimentos servidos no café caiçara, à tarde, e no coquetel de encerramento, que aconteceram durante o evento, foram produzidos pelo grupo de quatro pequenas empreendedoras que surgiram da turma de Gastronomia Caiçara do Gaiato, finalizada em julho deste ano. As apresentações culturais que fecharam o evento foram realizadas pelos grupo Xondaro Mirim Mborai, da Aldeia Boa Vista, e Ô de Casa, do quilombo da Fazenda.
 
 

                  BIBLIOTECA

             Aqui você encontra um pouco do conteúdo que foi transmitido aos jovens durante as oficinas do Projeto

 

 

Num dia de chuva todos se encontraram
Então em grupos um desafio nos apresentaram
Uma torre que ficasse firme sem ir ao chão
Nessa hora tive um ataque do coração

Falamos das crianças em épocas diferentes
As pobres eram tratadas como delinquentes
Que coisa triste, pelo menos para mim
Brasil qual será seu fim?

Falamos de Ubatuba e seus dilemas
A droga foi o principal problema
Um teatro tivemos que então fazer
E alguns problemas tentar resolver

 

O tempo passou e fizemos outra reunião
E usamos o corpo pra fazer uma percussão
O desafio era se comunicar
Eu não aguentei e comecei a tagarelar

Liderança comunitária o que será?
Novamente começamos a pensar
Ser lider não é somente falar
É aprender e também escutar

É ter iniciativa e planejamento
E saber que pra tudo tem o seu momento
É em poucas semanas que tudo isso realizamos
Como diria Emerson 'cá' estamos...

por Rubia Clara (jovem participante)