Jovem feminista do Nossa Cara conta como o projeto fortaleceu seu ativismo

Beatriz Alves dos Santos, 16 anos, já era ativista feminista antes de entrar no Projeto Nossa Cara: Juventude Caá.içara, um projeto de formação de lideranças no município patrocinado pela Petrobras e idealizado pela ONG Gaiato. A jovem engajada é membro do Coletivo Feminista de Ubatuba e compõe o time de mulheres do programa local “Voz de Mulher”, da Rádio Gaivota, que abre espaço toda terça, às 20h30, para essa discussão, sendo Beatriz a única representante jovem do coletivo. Abaixo você conhece um pouco mais sobre Beatriz, que desde muito cedo empresta sua voz em prol de causas da juventude e das mulheres e para quem uma piada machista é uma “oportunidade para militar”.

Como o feminismo entrou na sua vida?

Não lembro o momento exato. Desde pequena eu tenho esse olhar, acho que sempre me ensinaram a não distinguir menino e menina.

Para você, o que é ser feminista?

É ter liberdade de ser o que quiser, inclusive uma mulher “recatada e do lar”, se você quiser, mas saber que outras pessoas podem não querer isso para si.

Como você luta para mudar o machismo no mundo?

Todas nós como mulheres começamos a atuar desde cedo em casa, na escola, em pequenas conversas. Muitas vezes você é vista como a chatinha, mas eu acho importante você militar mesmo na piadinha machista, ser contra, é daí que começa. Ampliando mais, acho que é quando vou na rádio, quando participo de reuniões com mulheres empoderadas, quando nos reunimos para tentar resolver juntas certos problemas, é onde eu atuo.

Qual lembrança mais forte que tem de ter sofrido com alguma manifestação machista?

O machismo está no dia a dia, mas eu acho que foi ter sido criada pela minha mãe sem o meu pai. Eu não conheci ele, mas para mim abandono é um ato machista.

Como você percebe as mudanças da sua atuação no seu entorno?

A maioria das pessoas do meu entorno veem essa minha atuação como uma coisa boa, mas claro que tem quem critique, alguns dizem que meu feminismo é muito radical, mas eu não acho não, acho que é o básico, sabe? Até na minha família a gente tem essa parada de um desconstruir o conceito do outro, quebrar esses paradigmas.

É mais difícil fazer esse debate no mundo ou na família?

Ah, no mundo. Na família é mais fácil, você sabe o jeito de cada um.

Para você, o Nossa Cara abriu espaço para esse debate?

Ah sim, sempre houve. Todos os oficineros eram bem preparados para falar do machismo, da homofobia, do racismo, de como podemos mudar isso. Para mim o projeto foi essencial. Depois dele tive muito mais certeza não só do feminismo, mas me deu mais força para falar, me expressar, saber que eu posso sim falar e ser ouvida, não só como mulher, mas também como jovem.