Cultura indígena

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A cultura indígena é uma marca em Ubatuba, pois os indígenas já ocupavam este território muito antes da chegada dos europeus e mesmo tendo sido dizimados ou expulsos do território, novos assentamentos voltaram a existir nessas terras. Para saber mais sobre a Aldeia Tupinambá de Iperoig, de onde surge a cidade de Ubatuba e aprender mais sobre como foi o contato desses índios com os exploradores portugueses: http://www.ubatuba.com.br/indios.asp Hoje em dia, não há mais Tupinambá em Ubatuba, mas temos as aldeias indígenas da Boa Vista, dos índios Guarani, no sertão do Prumirim e a Renascer, tupi-guarani, localizada aos pés do Pico do Corcovado.  

Saiba mais sobre a história e cultura indígena:

Blog da Aldeia Renascer

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Quem foi Cunhambebe que nomeia uma rua de Ubatuba?? O que ele tem a ver com os Caiçaras??

Cunhambebe (? - c. 1555) foi um famoso chefe indígena tupinambá brasileiro. Foi a autoridade máxima entre todos os líderes tamoios da região compreendida entre o Cabo Frio (Rio de Janeiro) e Bertioga (São Paulo). Foi aliado dos franceses que se estabeleceram na Baía de Guanabara em 1555, no projeto da França Antártica. É citado na obra do religioso francês André Thévet Les singularitez de la France Antarctique e na obra do aventureiro alemão Hans Staden "História Verdadeira...". Noticia-se que o chefe tamoio, em rituais canibais de sua tribo, tenha devorado mais de sessenta portugueses.
Segundo o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro, o nome "Cunhambebe" é derivado do termo tupi kunhãmbeba, que significa "mulher achatada, sem seios, de seios muito pequenos", pela junção de kunhã (mulher) e mbeba (achatado). Seria uma alusão ao peito musculoso e desenvolvido de Cunhambebe.
Segundo Capistrano de Abreu, houve não apenas um, mas dois Cunhambebes: pai e filho. O pai teria sido o famoso guerreiro que Hans Staden encontrou na Serra de Ocaraçu (atual conjunto de morros do Cairuçu, ao Sul de Paraty, na região de Trindade). André Thevet também teria conhecido este Cunhambebe. Faleceu de "peste" (provavelmente varíola) após a chegada dos colonos franceses de Nicolas Durand de Villegagnon à Baía de Guanabara.

Alguns anos após a morte deste Cunhambebe, o padre José de Anchieta teria encontrado o Cunhambebe filho em Yperoig (atual cidade de Ubatuba) para as negociações que deram origem ao Armistício de Yperoig - o primeiro tratado de paz conhecido no continente americano, colocando fim à chamada Confederação dos Tamoios, que ameaçava São Vicente e a supremacia portuguesa no sul do Brasil.

Sobre o feriado da Paz de Iperoig - 14 de setembro - Um Tratado de Paz para selar o Encontro

O conflito de interesses que marcou a chegada e o encontro entre portugueses e tupinambás no século XVI, teve uma trégua importante no cenário da conquista, graças à mediação diplomata do padre José de Anchieta e Manoel da Nóbrega. O papel dos jesuítas foi crucial, mas não no sentido que aponta a história tradicional. Eles conseguiram promover o famoso Tratado de Paz, que segundo a tradição, selou-se no dia 14 de setembro de 1565, na antiga aldeia de Iperoig, hoje cidade de Ubatuba.
Entretanto, esse Tratado não redundou no propósito de convivência harmoniosa almejada pelos apóstolos da Companhia de Jesus. Os Tupinambás ou Tamoios da região - diz Anchieta nas suas Cartas - estavam dispostos a negociar porque a configuração das alianças estava mudando no contexto da guerra. A Confederação dos Tamoios era aliada aos conquistadores franceses que os proviam com a exuberância das armas e espadas; vestes e ferramentas podendo negociar estes utensílios pelo pau - brasil. Por outro lado, os portugueses eram aliados de seus arquiinimigos os tupiniquim, considerados traidores vicerais da causa tupi, isto é, da causa fiel aos ancestrais da tribo. A paz nesse sentido, era almejada pelos tamoios para continuar guerreando e poder comer esses velhos inimigos em um ato sagrado de sacrifício, estes haviam triunfado sobre os tupinambás mais de uma vez aliados aos dominadores portugueses.

Anchieta e Nóbrega chegaram de barco a Iperoig para as negociações, foram rodeados de canoas e deram de cara com Coaquira, chefe da aldeia que os hospedou como embaixadores de paz. Iperoig foi o sitio das assembléias que ouviu as queixas contra os portugueses: atrocidades, traições, incêndios, intrigas e capturas de índios tratados a ferro de escravos. No meio dessas discussões Anchieta se retira e escreve na areia da praia, o célebre poema à Virgem Maria, segundo conta a lenda. O relevante deste episódio são as circunstâncias em que o poema foi concebido, no ritmo bárbaro da luta entre a fé e o instinto, transparecendo a angústia do conflito que motiva o evangelizador.

Aimberé, o líder da Confederação, sucessor de Cunhambebe que havia morto por causa de uma epidemia, trazida pelos europeus e que dizimou grande parte dos índios, viaja para a Capitania de São Vicente, enquanto

Anchieta e Nóbrega ficam cativos em Iperoig. Mais tarde este último também viaja para o centro das negociações em Piratininga, onde sela o acordo de Paz com Aimberé e as autoridades portuguesas. A partir de então, iniciam-se expedições libertárias dos índios cativos em fazendas ou engenhos da época. De volta a Iperoig, Aimberé se depara com a figura de Anchieta engajada entre os seus, catequizando e ensinando ofícios aos habitantes da aldeia:agricultura, pecuária, alimentação e saúde, ganhando com isto o respeito de toda a taba de Coaquira. Assim, Anchieta após cumprir sua missão volta a São Vicente.

Um breve tempo de paz veio após a assinatura do Tratado de Iperoig. Os índios tornaram-se mais exigentes, na troca de produtos, dando inicio a um novo processo de importações e exportações, receberam teares e gado que ajudaram no progresso econômico das aldeias. No entanto, os portugueses romperam o acordo de pacificação que durou pouco mais de um ano, sujeitando novamente ao trabalho escravo os índios. A guerra começou justamente onde tinha terminado, em Iperoig com a invasão das duas aldeias de Coaquira, uma vez morto o velho guerreiro, levaram os sobreviventes ao cativeiro. Os tamoios não cederam a essa quebra do Tratado, mas Men de Sá entrou com todo o poder de fogo tingindo este episódio de sangue, daqueles que foram chamados pelo jesuíta missionário de "filhos da terra".

Este é o pano de fundo desse Tratado de Paz que se celebra o dia 14 de setembro em Ubatuba, uma saga que coloca o município como cenário do primeiro Tratado das Américas.

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Por Juan Droguett e Jorge Otávio Fonseca, autores do livro Ubatuba - espaço, memória e cultura (2005)

Curiosidade sobre a Aldeia Renascer (Ywyty Guaçu) e sua relação com as filmagens de Hans Staden- 

(retirado de OS TUPI GUARANI DA ALDEIA RENASCER (SP): UMA REFLEXÃO SOBRE OS ENUNCIADOS DA MISTURA E OS AGENCIAMENTOS DA "CULTURA" de AMANDA CRISTINA DANAGA da UFSCAR

A aldeia Renascer formou-se em setembro de 1999 com a chegada ao local de algumas famílias Tupi Guarani e Guarani Mbya, sob a liderança do Tupi Antonio Silva Awá, então cacique da aldeia. Na ocasião, essas pessoas haviam sido convidadas para participarem das gravações do filme de Luis Alberto Pereira, intitulado “Hans Staden” . O local onde hoje se situa a aldeia foi o cenário utilizado para a produção do longa-metragem.
Foram construídas grandes ocas cenográficas, na tentativa de remeter a uma aldeia tradicional dos índios Tupinambás que habitavam a costa litorânea brasileira durante o século XVI. O filme produzido na aldeia contou com a participação de alguns índios que fizeram apenas papéis figurativos e um deles foi Antonio Awá.
Durante o trabalho de campo na aldeia Renascer, as pessoas que hoje residem na área indicaram que o filme teve um papel secundário na formação da aldeia. Segundo elas, o filme foi um veículo pelo qual as famílias, engajadas em projetos de preservação da tradição na reocupação de territórios tradicionais, puderam se encontrar e realizar um desejo que lhes era comum. Assim, o cacique Awá tinha um propósito e acabou por encontrar outras famílias que apresentavam o mesmo propósito. Ele alega que o filme foi apenas um cenário que favoreceu a realização de suas intenções.

De acordo com Antonio Awá, Nhanderu havia revelado através de um sonho para sua mãe que ali era um bom lugar 6 . A mãe de Awá, Luzia Samuel dos Santos (também conhecida como Penha), nasceu e foi criada na aldeia do Bananal e é filha de Samuel Américo dos Santos, ambos já falecidos. Segundo as considerações levantadas por Antonio Awá, Ubatuba era uma região muito almejada por sua mãe, que sonhava em um dia residir no local. Após sonhar com sua mãe, indicando sua vinda para essa região, ele se mudou para Ubatuba. Quando surgiu a oportunidade de participar do filme foi que Awá conheceu o lugar no qual, em seguida, fundaria a aldeia Renascer.
Houve uma grande identificação entre o local conhecido e o local apontado em sonho por sua mãe. Em virtude disso, juntamente com outros índios, Awá optou por permanecer na área, habitando, inicialmente, o cenário. Contam que, no início das gravações, houve uma promessa para construção de um lugar destinado ao turismo na área, dedicando uma das ocas cenográficas para produção e comercialização dos artesanatos produzidos pelos índios da região. Seria um espaço turístico destinado a promoção da cultura indígena, o que não se concretizou. Essa teria sido uma promessa feita pela Prefeitura do Município de Ubatuba (que na época era administrada pelo prefeito Euclides Luiz Vigneron, mais conhecido como Zizinho) aos índios, mas não há nada documentado nesse sentido. Embora digam que havia reportagens de jornal desse período registrando a promessa feita pela Prefeitura, não foi possível encontrá-las nos arquivos municipais.
Encontrei apenas uma fala do próprio diretor do filme remetendo-se ao assunto. Ele diz: “Uma pessoa tinha combinado com a Prefeitura de Ubatuba manter a aldeia [referindo-se a aldeia cenográfica] como uma espécie de Museu e ela foi ficando, mas depois não fizeram mais nada” (PEREIRA, 2000).
A entrada no espaço onde o filme foi produzido não aconteceu logo que esse terminou, mas algum tempo depois, quando o cenário estava abandonado e o local vazio. Ao encerrarem-se as gravações a área ficou abandonada. Não houve a construção de um “Centro Cultural” e nem o desmanche do cenário. Os índios começaram a frequentar as grandes ocas cenográficas. Algum tempo depois, sob a liderança de Awá, ocuparam o local. Segundo relatos, os critérios que foram relevantes para ocupação do local foram: a abundância da mata, a existência de água pura, a disponibilidade de materiais usados na confecção dos artesanatos, e uma forte identificação com o local, aconselhado através de um sonho (da mãe de Antonio Awá) como uma terra boa para se viver.
* * *
Afinal, o que representou esse filme para os índios e qual a sua afinidade com a realidade das pessoas que passaram a viver no local a partir de seu cenário?
Nos discursos do grupo, parece que a imagem proporcionada pelo filme e até mesmo a participação neste não foram os fatores mais significativos para a formação da aldeia. É claro que o filme teve grande importância, já que a comunidade se constituiu em seu cenário, mas isso não fica tão evidente assim nos depoimentos dos moradores da aldeia Renascer. O fato é que não se pode deixar de observar a presença da relação que a comunidade tem com a câmera e a preocupação com o registro das imagens. Se isso foi resultado ou não do contato com uma produção cinematográfica, não se sabe ao certo. O que se pode afirmar é que eles se valem constantemente dos recursos audiovisuais para registrar tudo que acontece em sua comunidade, ressaltando sempre a importância do armazenamento dessas imagens.

Conheça o significado dos nomes de alguns lugares de Ubatuba segundo o idioma tupi-guarani no link abaixo!
http://www.maranduba.com.br/linguatupi.htm

DOWNLOADS

No link a seguir, você pode realizar o download de todos os livros da coleção: Índios na Visão dos Índios de forma gratuita. A produção desses livros foi realizada por meio de iniciativas privadas e públicas, porém para que o mundo possa ter acesso às lindas histórias registradas neles, temos que nos aliar aos bons ventos que sempre nos levam a conhecer pessoas que têm nos ajudado nessa missão.

http://www.thydewa.org/downloads1/

Faça o download dos livros Povos Indígenas no Brasil. Esta iniciativa começou a ser publicada em 1980 pelo Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi). O Instituto Socioambiental (ISA), uma das organizações que sucedeu o Cedi, deu continuidade a esse trabalho, que se consolidou como a mais completa coleção existente sobre a história recente e atual dos povos indígenas que vivem no Brasil.

Apoiada em uma extensa rede de colaboradores voluntários, a série apresenta notícias e artigos assinados e escritos especialmente para a série sobre temas como educação, direitos indígenas, terras indígenas e saúde, além de imagens históricas.

Os livros da coleção, com exceção dos volume Povos Indígenas no Brasil 2006-2010, estão esgotados. Por isso, o ISA os digitalizou e está disponibilizando para leitura e download. A eles, juntam-se dois volumes especiais da revista Tempo e Presença - uma sobre a Amazônia brasileira e outra sobre os Povos Indígenas - , publicada pelo Cedi a partir de 1979.

https://books.google.com.br/books?id=XXaFH9Y_z0sC&lpg=PP1&dq=povos+ind%C3%ADgenas+no+brasil&hl=pt-BR&pg=PP1#v=onepage&q&f=false

Para mais pesquisas:

O Instituto Socioambiental (ISA) é uma organização da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos, fundada em 1994, para propor soluções de forma integrada a questões sociais e ambientais com foco central na defesa de bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos. O site deles tem bastanete informação e material de pesquisa tanto de comunidades indígenas quanto de quilombolas.

http://www.socioambiental.org/pt-br

Daniel Munduruku é um escritor indígena com 45 livros publicados, graduado em Filosofia, tem licenciatura em História e Psicologia. Para saber mais sobre Daniel, visite seu blog http://danielmunduruku.blogspot.com.br/

O CIMI O Cimi é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que, em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao trabalho da igreja católica junto aos povos indígenas.

Criado em 1972, quando o Estado brasileiro assumia abertamente a integração dos povos indígenas à sociedade majoritária como única perspectiva, o Cimi procurou favorecer a articulação entre aldeias e povos, promovendo as grandes assembléias indígenas, onde se desenharam os primeiros contornos da luta pela garantia do direito à diversidade cultural. Há bastante informação sobre a situação política dos índios da atualidade: http://cimi.org.br/site/pt-br/